Tim Sweeney detalha UE6, IA e os desafios para novos jogos vencerem
CEO da Epic Games diz que o Unreal Engine 6 deve simplificar o desenvolvimento, ampliar otimizações e acelerar fluxos com IA.
Zetho Insider
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Poucas horas após a apresentação State of Unreal, Tim Sweeney, CEO da Epic Games, e Marcus Wassmer, EVP de desenvolvimento, explicaram como o Unreal Engine 6 deve mudar a produção de jogos. A entrevista abordou simplificação do motor, uso de IA, otimização para hardware mais fraco e as dificuldades do mercado atual.
Segundo a Epic, o UE6 entra em early access no fim de 2027 e deve passar por um período de 12 a 14 meses até o lançamento completo. A proposta é reduzir a complexidade acumulada do Unreal Engine 5 e tornar o processo de criação mais acessível para equipes de diferentes portes.
O que a Epic quer mudar com o UE6
Sweeney afirmou que uma das metas do UE6 é tornar o desenvolvimento mais simples, substituindo parte da complexidade atual por fluxos mais diretos. Entre os pontos citados está a adoção da linguagem Verse, já usada em Fortnite, como base principal para programação de gameplay.
Wassmer disse que a nova geração do motor também busca reduzir tarefas repetitivas com ferramentas de IA, permitindo que desenvolvedores gastem mais tempo na parte criativa. A Epic ainda destacou a ideia de ativos interoperáveis entre jogos, especialmente em economias conectadas.
Na visão da empresa, isso pode ajudar estúdios menores a competir melhor. Wassmer citou o exemplo de Claire Obscur: Expedition 33 e de No Law como sinais de equipes pequenas entregando resultados técnicos ambiciosos.
IA, desempenho e hardware mais caro
Sobre IA, a Epic afirmou que a tecnologia deve funcionar como apoio, não como substituição do controle criativo. Wassmer disse que o foco está em eliminar tarefas tediosas, como análise inicial de falhas e ajustes técnicos, enquanto artistas e programadores mantêm o controle final do trabalho.
Sweeney acrescentou que a Epic quer oferecer compatibilidade ampla com diferentes modelos e ferramentas, por meio de uma interface MCP. Em vez de impor uma solução única, a ideia é deixar cada estúdio integrar a IA da forma que considerar mais útil.
No campo de desempenho, a empresa afirmou que melhorias já vêm sendo aplicadas nas versões 5.7 e 5.8, com continuidade no UE6. O objetivo é facilitar escalabilidade entre mobile, PCs mais modestos e máquinas de ponta, algo considerado ainda mais importante diante do aumento no custo de hardware.
Por que tantos jogos falham hoje
Sweeney atribuiu parte da dificuldade atual a mudanças estruturais do mercado. Para ele, jogos multiplayer e sociais passaram a concentrar atenção e investimento por longos períodos, o que torna mais difícil para novos projetos alcançarem massa crítica suficiente para sobreviver.
Ele citou que títulos estabelecidos como Roblox e PUBG Mobile se beneficiam de comunidades consolidadas, redes sociais internas e ecossistemas multiplataforma. Nesse cenário, mesmo bons jogos podem fracassar sem escala rápida ou integração social eficiente.
Sweeney também defendeu que o setor precisa melhorar conexões entre plataformas e reduzir barreiras sociais entre jogadores de PC, console e mobile. Para a Epic, desenvolver jogos com mais eficiência e com suporte multiplataforma amplo será essencial para que novos lançamentos tenham chance real de crescer.
A fala da Epic indica que o UE6 será apresentado não só como uma evolução técnica, mas como parte de uma resposta aos custos crescentes e à disputa cada vez mais dura por atenção no mercado de games.


